Sempre que recordo o meu tempo de estudante, ele me vem à mente. Lembro-me claramente de sua determinação e garra que o levou à SUPERAÇÃO PESSOAL. Eram os anos 50, e naquela época era mais comum ler a Bíblia nos lares brasileiros, mas ele a leu mais de uma vez, incluído aí o Velho e Novo Testamentos. Meditava e discutia as mensagens sempre atualizadas do livro mais famoso e importante do mundo.
Um devorador de livros, assim o chamava seu irmão mais velho, quando lhe encaminhava uma literatura qualquer e certamente estava aí a liderança que exercia pelo conhecimento adquirido. Assinava e mantinha sua coleção da revista "O Cruzeiro", ouvia o rádio com frequência e se mantinha informado sobre tudo. Exímio enxadrista derrotava os campeões dos torneios locais, e conquistava a todos, mesmo os mais tenazes adversários.
Quando eu tinha dificuldade em alguma das matérias escolares, fossem elas português, matemática ou geografia, ali estava ele, com suas mãos estendidas e seu olhar humilde, passando suas lembranças e experiências, me tranquilizando e ensinando, mostrando que SUPERAÇÃO PESSOAL é uma questão de decisão.
Quantas vezes, nos exames finais, contava com sua companhia, de madrugada, lendo em voz alta, ouvindo e discutindo os textos, procurando, sempre através de palavras simples, me fazer entender os conceitos. Foi ele a primeira pessoa a incutir-me a autoconfiança na SUPERAÇÃO PESSOAL, de que naquele tempo tanto precisava. Sua liderança provinda do conhecimento que expressava, atraia padres, professores, estudantes.
Estudou eletrônica. Montou rádios na época em que não se conheciam os transistores e as bobinas tinham que ser criteriosamente construídas, contando cada espiral em seu enrolamento. Manejava com precisão o ferro de solda e ligava cada terminal com a segurança de quem já sentia e via seu projeto final realizado.
Lembro-me de uma vez, na época de colher o feijão, que a safra foi comprometida devido às chuvas. Muitas sementes começaram a brotar antes do tempo. Para a venda, as sementes brotadas tinham que ser removidas. Foi um duro momento. Toda minha família se uniu para entregar o produto limpo aos compradores. E ele era o que mais produzia mostrando sua SUPERAÇÃO PESSOAL também nesta habilidade. Alegre, não tinha voz afinada, mas gostava de cantar, entoando canções típicas dos agricultores junto com minha mãe e avó. Meu pai, tropeiro, esteve presente algumas noites depois de sua jornada de trabalho. Ele, Ilídio Luiz Soares, o mestre a que me refiro, não conheceu o sabor de andar, porque acometido de poliomielite deste os dois anos vivia sentado. Tinha seus braços limitados; o direito, ainda mais fraco, não tinha como ser erguido nem esticado. Suas pernas estavam sempre recolhidas e dobradas. Locomovia-se de cotovelo e joelhos apoiados e SUPERAVA com maestria suas limitações.
Frequentou, à custa do sacrifício do irmão mais velho, por menos de dois meses a escola primária.
Conto esta história para fazer referência ao fato de que todo ser humano tem sempre muitas razões para ter medo. Medo de errar e perder. E tem sempre muitas razões para desistir e voltar atrás. Com esse sentimento de derrota iminente, é fácil começar a "jogar fora" um dia por vez de nossas vidas, acreditando que "não conseguiremos fazer isso ou aquilo, que SUPERAÇÃO PESSOAL é impossível, uma verdadeira utopia".
E foi isso o que tentaram incutir na mente de meu tio Ilídio. Disseram-lhe que jamais conseguiria ser um técnico em rádio, afinal, era limitadíssimo fisicamente e praticamente não havia estudado. Teoricamente aquela afirmação podia ser verdadeira, mas a conclusão foi falsa. Ele "chegou lá" e tornou-se um ótimo "rádio-técnico". Mesmo com todas suas limitações não amaldiçoou sua vida. Ao contrário, tinha sempre uma palavra de conforto para todos que o cercavam. Mostrou a todos nós que SUPERAÇÃO PESSOAL se constrói com determinação, conhecimento e tolerância às críticas e descrenças.
Ilídio nos faz lembrar também do grande Aleijadinho, que igualmente não acreditou na afirmação "aleijado não pode ser escultor". E o mesmo fez Santos Dumont ao contestar a máxima de que "não se conseguiria voar com um ARTEFATO mais pesado que o ar."
Apesar de lógicas, todas essas premissas se revelaram falsas.
Por isso, fique atento à sua voz interior. Quando ela lhe disser "você não pode", lembre-se: ela pode ser lógica, mas falsa. Rebele-se. Não aceite a situação adversa sem lutar. Conscientize-se que SUPERAÇÃO PESSOAL se conquista sem a intenção de liderar, é uma consequência aos desafios que enfrenta e às soluções que oferece.
Descubra que no final de horizonte não existe nenhum dragão, mas se por ventura existir um, mate-o.

Head Trainer Layr Malta
Mentor do Leader Training – Equipe Layr Malta